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domingo, 4 de julho de 2010

Coronel da PM pediu a aposentadoria em 2009 por não concordar com 'método corporativista' na instituição

Vou me reportar hoje ao ano de 2009, quando o Coronel Paulo César Lopes (na foto acima, dando lição de moral para a corporação), deu um verdadeiro exemplo de cidadania e moral depois de saber que um policial militar, seu comandado, agrediu um menor quando estava em operação em umas das comunidades na cidade do Rio de Janeiro. Conhecido como "linha dura", admirado por muitos e detestado por tantos outros, o Coronel Lopes, como é conhecido, revelou a sua decisão de se aposentar da carreira de Policial Militar. Lopes, com 55 anos de idade, e 34 anos de serviços prestados como Militar, não se intimidou e falou o que pensava da Polícia Militar mal comandada por pessoas que não têm qualquer compromisso com a ética e que pensa em proteção apenas de si mesma, e não da sociedade em geral.

Fica difícil até de escrever sobre uma pessoa da estirpe do Coronel Lopes, pois sou um admirador do seu trabalho, de sua postura como cidadão que é, e do profissionalismo que exerceu durante sua longa carreira militar. No entanto, pelos fatos que conheço e por tudo que a nossa sociedade vive, não vou deixar de emitir minhas considerações sobre a atuação da instituição mais contestada, que é a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. É fato que são profissionais severamente desprestigiados, vez que não são devidamente reconhecidos e têm salário de miséria, - permitam-me falar assim, pois externo também o sentimento dos cidadãos de farda -, no entanto, se fosse uma entidade unida e com objetivo comum, sem interesses que não fosse a "Ordem e Progresso", como está escrito na Bandeira Nacional deste País, viveria outra situação bem diferente.
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Sabendo que foi preterido para ser o Comandante Geral da Polícia Militar do Rio de Janeiro, diante de todo o serviço prestado, e com uma "ficha corrida" impecável, o Coronel Lopes decidiu aposentar-se da vida militar. Em seu lugar, José Mariano Beltrame (foto ao lado), secretário de segurança do Rio de Janeiro, anunciou o nome do Coronel Mário Sérgio. Além disso, Beltrame falou sobre a decisão do Coronel Lopes, e "deu de ombros" com o seguinte comentário: "O Coronel Lopes tem 34 anos na polícia e teve tempo suficiente para mostrar o seu valor. Eu agradeço, gosto dele e, se acha que deve sair, paciência. Vamos em frente, procurar velocidade e colocar metas. Chega de tratar as coisas emergencialmente. Essas pessoas têm projetos? É isso que queremos. Estamos no século 21". Estas são as palavras de quem está pautado na teoria e que talvez, use como fundamento, a proteção aos militares que fazem o que querem em serviço, desrespeitando cidadãos, humilhando civis, para se tornarem em policiais conhecidos comos "bandidos fardados".
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Na oportunidade, mais do que revelar sua decisão de se aposentar, o Coronel Lopes comentou a escolha feita pelos "políticos profissionais". Lopes (foto ao lado, no gabinete do batalhão), sempre impiedoso com a bandidagem, e extremamente severo com a tropa que comandava, pois não admitia desvio de conduta, revelou o que pensa sobre a decisão na escolha de outro nome, sem "meias-palavras": "Não posso ser comandado por um coronel mais moderno do que eu. Ele não foi meu contemporâneo. Tenho vergonha na cara. Antes de esperar eles tomarem a decisão, eu decidi dar entrada na minha aposentadoria. É uma questão de princípios. Espero que a decisão do secretário Beltrame seja pautada na sabedoria e iluminada por Deus. A história vai se incumbir de definir se a decisão dele foi adequada ou não!. Eu penso que teria ainda muito para contribuir com a Polícia Militar; até mesmo pela minha experiência; mas, se a experiência não tem valor para ele, ele agiu certo ao fazer o arejamento. Saio por questões pessoais e com a certeza de dever cumprido. Não tenho nada contra a pessoa do coronel Mário Sérgio e de quem vai assumir cargos máximos na PM".
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Quanto à questão da escolha por outro nome para comandar a Polícima Militar do Rio de Janeiro que NÃO fosse o Coronel Lopes, está bem claro que deveu-se ao fato de que a ELITE MILITAR ficou extremamente incomodada quando Lopes repreendeu a tropa que atuava em diligência em uma comunidade carente no Rio de Janeiro (foto do topo do assunto). Naquela oportunidade, o coronel recebeu a denúncia de que um militar tinha invadido uma residência e agredido um menor de idade. O pai do menino, que foi chamado no serviço, voltou imediatamente para casa e vendo o movimento de policiais militares na região, procurou o comandante da operação para reclamar o fato. Ouvido pelo coronel Lopes, o militar tão somente falou que o fato ia ser resolvido. Assim, o coronel Lopes pediu ao menino que "apontasse" quem o havia agredido. Mesmo com medo, o menino apontou o policial. Perguntado pelo coronel Lopes se tinha certeza de que era aquele policial, logo após, deu voz de prisão administrativa ao policial, pediu-lhe a arma que estava portando, e falou que seria encaminhado ao departamento policial correspondente para responder pelo "abuso de poder" cometido, tendo a presença também do menor agredido e do pai, responsável pela criança. (foto acima do policial entregando a arma ao colega, quando foi preso administrativamente diante dos mesmos) 

Não bastasse a atitude rigorosa do coronel Lopes, a cúpula da PM, que é cheia de "NÃO ME TOQUES", ficou indignada com o constrangimento, pois tudo foi feito diante de uma câmara do "Jornal Extra", que fazia a reportagem na oportunidade sobre a diligência realizada pela polícia militar. Com isso, os "Coronéis de Gabinete", juntamente com os políticos em "cargos de comissão", engravatados e soberbos que sequer sujam a "baínha da calça" em serviço, ficaram ofendidos pelo rigor do coronel Lopes, e o preteriram para ser o Comandante Geral da Polícia Militar. Sabendo do fato e da preferência da Polícia Militar de atuar de forma severa com toda a sociedade, mas ser corporativista ao extremo, o coronel Lopes esbravejou: "ISTO É UM 'PORCORATIVISMO' NOJENTO".
Outra amostra da dureza do coronel Lopes aconteceu no início deste ano de 2010, no mês de fevereiro, em família, quando soube da notícia da prisão do seu próprio filho que estava envolvido em uma tentativa de assalto no Rio de Janeiro, o Coronel Lopes mostrou a severidade que tanto pregou durante toda a sua carreira. Incomformado com a atitude do filho, que, segundo ele, o traiu na confiança e em tudo que lhe foi ensinado, Lopes não fez a menor cerimônia e disse que já havia avisado ao filho que jamais o protegeria quando cometesse alguma falha. Apesar da atitude demonstrada, extremamente arrasado, o coronel falou o seguinte a um repórter que lhe avisava sobre o ocorrido ao telefone: "Ele é maior de idade e terá que assumir as consequências de seus atos. Fez o que fez e já sujou meu nome mesmo, então agora vai ter que assumir!".

Em outra oportunidade, quando foi entrevistado pelo Jornal "O Dia", o coronel desabafou e falou as seguintes palavras ainda sobre a prisão do filho: "Não irei (à delegacia); Tenho certeza que de não falhei como pai. Sempre dei assistência material, intelectual e afetiva. Cumpri meu dever de pai e não passarei a mão na cabeça dele. Se quer roubar, ser assaltante, vai ter que assumir as consequências. Estou sofrendo muito, mas tenho a minha consciência tranquila porque sei que a falha foi só dele. Sempre o avisei que se um dia fosse preso não era para me ligar e ele não ligou; pelo menos isso ele aprendeu. Falhou por não ter ouvido a orientação do pai. Sempre falei para ele que se um dia cometesse um crime não teria meu apoio presencial. Como pai, não consigo me omitir, vou proporcionar os recursos para sua defesa, mas como coronel não moverei uma palha. É muito triste saber que o meu filho pode ter se tornado o que sempre combati dentro e fora da polícia: BANDIDO!; Foi como levar um tiro fatal!".

Mostrando realmente estar transtornado e muito incomodado com a prisão do filho, ainda na entrevista, quando foi perguntado se havia falado com o filho na prisão, o coronel Lopes declarou as seguintes palavras duras: "Não falei com ele; ele sabe que foi desleal comigo. Sabe que o amo e do desgosto que está me dando. Se ele tiver o mínimo de vergonha na cara, não vai ligar nem para pedir desculpa
s. Ele sabe que eu mesmo o prendo se souber que cometeu um crime. E se fosse na minha frente, era capaz até mesmo de lhe dar um tiro". Para finalizar a entrevista, o coronel afirmou que nunca percebeu comportamento estranho do filho, e que não acredita que esteja envolvido com uso de drogas. Disse também que o filho é extremamente carinhoso.

Desta forma, podemos perceber que o coronel realmente é avesso à
irregularidades que podem manchar a vida de qualquer pessoa. Com o próprio filho ele foi extremamente severo, apesar de oferecer-lhe todo o apoio jurídico em sua defesa. Fato é que não é fácil fazer da nossa decendência aquilo que a gente quer, ou pelo menos, aquilo que a gente deseja, sem a "AJUDA DIVINA". Se Deus permitiu que tal fato acontecesse ao filho de um coronel foi por algum motivo que não cabe a mim julgar ou tecer comentários sobre aquilo que não conheço. O que eu tenho certeza é que fará muita falta na polícia militar a figura de uma pessoa austera, de personalidade, firmeza, e acima de tudo, com a característica de um verdadeiro cidadão. Esta é a minha simples opinião.

"UM PAI, AINDA O MAIS POBRE, TEM SEMPRE UMA RIQUEZA PARA DEIXAR AO FILHO: O EXEMPLO!" (Coelho Neto)

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